Mas afinal, o que é Brainspotting?

25 de fevereiro de 2016

Muitas vezes nos flagramos pensando em alguma coisa, perdidos em nossos pensamentos, e por algum motivo estamos olhando para determinado ponto, no espaço vazio. É como se, naquele ponto de observação, nossas divagações ficassem mais intensas, fizessem mais sentido. Em outros momentos, ficamos cabisbaixos, com os olhos fixos em algum ponto no chão. Considerado o espírito científico, o que aconteceria se, em vez de piscarmos os olhos e retomássemos nossas atividades diárias, continuássemos a olhar para esses pontos e observássemos o que acontece? Pois no Brainspotting é exatamente isso o que ocorre!  Então  concluímos que esse olhar, nesse ponto focalizado, interfere no modo como pensamos as coisas. Mais do que simples olhar, esse jeito de fixar o olhar parece interferir até mesmo no modo como nossa mente funciona, como se o olhar fosse uma janela para nosso cérebro.

Trata-se, portanto, de uma metodologia de tratamento psicoterapêutico focalizado, forte e poderoso que identifica, processa e libera as fontes neuropsicológicas de dor física/emocional, trauma, dissociação e uma variedade de outros sintomas desafiadores. Pode também ser entendido como uma forma simultânea de diagnóstico e tratamento. Por suas técnicas aparentarem simplicidade, o Brainspotting oferece ao cliente um senso de contenção e de controle sobre o material perturbador que é elaborado.

Brainspotting funciona como uma ferramenta neurobiológica de apoio à relação terapêutica. Não existe substituto para a presença terapêutica, acolhedora e madura, com capacidade de incentivar o cliente em sofrimento a investir em uma relação segura, de confiança, na qual sinta-se ouvido, aceito e entendido. O Brainspotting oferece-nos uma ferramenta auxiliar dentro dessa relação clínica para elaborar sintomas que normalmente estão fora do alcance da mente consciente do paciente, de sua capacidade cognitiva e até mesmo linguística.

A intervenção atua em áreas profundas e primitivas do cérebro, propiciando acesso direto aos sistemas autônomos e límbicos do sistema nervoso central. Essa focalização ativa em regiões menos verbais promovem reações adaptativas de equilíbrio e sobrevivência do paciente em relação aos temas trabalhados. Trata-se de um tratamento com consequências positivas e ecológicas em nível psicológico, emocional e físico.

O que ocorre durante o Brainspotting?

Durante uma sessão típica de Brainspotting, o terapeuta solicita ao paciente que entre em contato com temas específicos a serem elaborados. Uma vez feita a escolha do que será focalizado, o cliente avalia o nível de ativação da dificuldade, ou seja: o quanto a recordação do conteúdo perturbador desperta sensações emocionais e físicas. O terapeuta utiliza uma pequena antena para ajudar a conduzir o olhar do cliente a encontrar pontos que mobilizam o sistema nervoso em processo natural de autocura. A observação da ponta dessa antena propicia uma pesquisa sobre ângulos visuais que intensificam ou atenuam essa mobilização. O processo prossegue até que terapeuta e cliente encontrem o ponto cerebral correspondente à ativação daquela lembrança.

O ritmo e o emprego de técnicas específicas dependem do nível de organização emocional do cliente. Quanto mais fragilizado, mais tempo é dedicado a uma intervenção mais suave e gradual de processamento do conteúdo perturbador. À semelhança do que ocorre durante a meditação, a pessoa deve apenas observar o que ocorre, sem julgar se o que acontece deveria ser desta ou daquela maneira. Essa estratégia deflagra o processamento profundo do material emocional emergente. A focalização mobiliza mais sensações corporais e integra material emocional de partes primitivas do cérebro ao adulto, orientado para o presente. Prosseguimos com esse procedimento até que esse ponto cerebral (brainspot) seja completamente reprocessado e a ativação permaneça em nível zero, sem provocar desconforto.

          Apenas psicólogos ou médicos com autorização para a prática de psicoterapia devem empregar esse método. No Brasil, os treinamentos têm sido conduzidos pelo Professor David Grand, que desenvolveu essa metodologia versátil e impactante de trabalho psicoterápico.

Dr. André Maurício Monteiro – Psicólogo, Mestre e Doutor em Psicologia (UnB) (CRP 01/3832). Docente Supervisor em Psicodrama. Pós-doutorado em arte-terapia com pacientes borderline no Psychiatrische Dienste Thurgau (2006 – Suíça); com pacientes portadores de trauma emocional múltiplo na Rhein-Klinik (2008 – Alemanha); no hospital-dia da Klinik für Psychiatrie und Psychotherapie, Charité Campus Mitte Berlin (2010 – Alemanha); Supervisor de Brainspotting; EMDR Trainer of Trainers (EMDR® Institute – EUA e pelo EMDR Ibero-América). Treinador credenciado pelo EMDR-Europe, ministrando treinamento em EMDR em várias cidades do Brasil e em Portugal. Presidente da Associação de EMDR Brasil (2009-2012); Ministra ainda cursos de Teoria e Psicoterapia dos Estados de Ego, transmissão transgeracional de traumas e de recursos, bem como intensivos em EMDR.

Coordena o www.www.espacodamente.com.br e FaceBook: Espaço da Mente, com atualizações em psicoterapia e cursos a distância.

Livros publicados:

Monteiro, A. M., Merengue, D e Brito, V. (2006). Pesquisa qualitativa e psicodrama. São Paulo: Editora Ágora.

Monteiro, A. M. e Carvalho, E. R. S. (2008). Sociodrama e sociometria: Aplicações clínicas. São Paulo: Editora Ágora.

Monteiro, A. M. (Ed.) (2012). Conquistas na Psicoterapia: Estudos de Caso com EMDR. Brasília: Associação Brasileira de EMDR.

Monteiro, A. M. (Org.) (2015). Conquistas na Psicoterapia II: Mais estudos de caso com EMDR. Brasília: Associação Brasileira de EMDR.

Contato: [email protected] ou [email protected]

Clínica Focus: SHIGS 706 bloco C casa 03 – telefax: (061) 3443-4141

    1 Comentário

  1. maira enricone
    2 de março de 2016

    Ola…gostaria de receber informações sobre cursos nesta área quando acontecerem nos estados do sul. Sou do RS.
    Abraço

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