TEPT e neuroinflamação: o trauma também deixa marcas no cérebro e no corpo
Um artigo recente publicado por Dr. Sanil Rege, intitulado “Advances in Understanding Posttraumatic Stress Disorder (PTSD): A Comprehensive Review of Pathophysiology, Diagnosis, and Management”, aprofunda uma compreensão essencial para quem trabalha com trauma: o TEPT não é apenas uma memória dolorosa que persiste — ele envolve alterações biológicas reais no funcionamento cerebral e imunológico.
A revisão mostra que o trauma crônico desencadeia processos inflamatórios no sistema nervoso central, afetando regiões-chave do cérebro:
- Amígdala: torna-se hiperreativa, intensificando respostas de medo e alerta;
- Hipocampo: sofre redução funcional e estrutural, comprometendo memória e integração temporal das experiências;
- Ínsula: amplifica a percepção corporal de ameaça, aumentando sofrimento emocional;
- Córtex pré-frontal medial: perde capacidade reguladora, dificultando autorregulação emocional;
- Córtex cingulado anterior dorsal: permanece hiperativado, favorecendo hipervigilância.
Além disso, o artigo destaca que marcadores inflamatórios como IL-6 e TNF-α aparecem elevados em muitos pacientes com TEPT, sugerindo que trauma psicológico e inflamação corporal estão profundamente interligados.
O que isso significa clinicamente?
Essa compreensão reforça algo que a prática clínica em trauma já demonstra: o trauma não está “apenas na narrativa” — ele reorganiza circuitos neurais, altera o corpo e impacta o sistema imunológico.
Para abordagens como a Terapia EMDR, esse dado é especialmente relevante: ao favorecer o reprocessamento adaptativo das memórias traumáticas, o tratamento não atua apenas no conteúdo psicológico da experiência, mas também contribui para reorganizar redes neurais disfuncionais associadas ao trauma.
Trauma é experiência neurobiológica
O grande avanço desse artigo é consolidar uma visão integrada: trauma psicológico, cérebro, corpo e inflamação fazem parte do mesmo fenômeno clínico.
Compreender isso amplia o olhar terapêutico e fortalece práticas clínicas mais precisas, humanas e fundamentadas em neurociência.
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